Falamos com alguma frequência na distância que separa o político do cidadão. Encontramo-nos ciclicamente para votar neles, elegendo-os para nos representarem e nunca mais pensamos no assunto. 'Isso é lá com eles!'
Só que esta diferença é transversal ao panorama geral dos orgãos administrativas. Seja a nível concelhio, distrital ou nacional. Do poder autarquico e legislativo ao interior dos próprios partidos.
Existe a população. Destes alguns são ligeiramente mais activos. E acima de todos estes estão os políticos. Estes, vão visitando de quando em vez o 'nosso mundo' para reunir apoios para voltar ao lugar em que estavam, ou para subirem de degrau. E o método repete-se para qualquer um que queira estar presente nesses níveis de decisão. E se tudo isto que disse até agora não me assusta - afinal de contas é a essência do sistema democrático partidário - já não posso dizer o mesmo dos "sectores intermédios" deste sistema: aqueles que alimentam cegamente as lideranças, sem formação ideológica e mesmo, em alguns casos, pessoal. Esses seguem a voz da liderança entendendo-a como a sua própria forma de estar . Sem questionar nem comentar. O irónico é que estes até são aqueles que em teoria mais perto estão da população.
Para quem acredita que ainda pode mudar já estou convencido com aquilo que o Capitão Nascimento dizia, no filme "Tropa de elite": ou se corrompem, ou se omitem ou vão para a guerra.