Mostrando postagens com marcador Think Pong 2008. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Think Pong 2008. Mostrar todas as postagens

Think Pong 2008 – Balanço do Ano

0 opinioes

O ano de 2008 foi um ano de mudança. A níveis inimagináveis. A nível internacional, os Estados Unidos foram invariavelmente o centro do mundo. Desta vez pela crise económica que começou com a falência do Lehman Brothers, e acabou a alastrar-se à Europa e a uma variação a níveis históricos por exemplo do preço do petróleo que atingiu níveis máximos e agora baixa a preços que não se viam há meses. Quem saiu bem desta crise foi o novo presidente daquele pais. Subiu nas sondagens e acabou por vencer, tendo-se tornado numa bandeira de todos os que pediam e acreditavam na mudança. Barack Obama é o primeiro presidente negro da América e uma ícone. Discurso com a força de um Luther King e um conteúdo que todos esperam ser de um ponto de viragem do Mundo.
Em Portugal foi o ano das grandes revoltas das grandes classes. Começou ainda com a contestação do Ministro da Saúde que acabou por sair e terminou com criticas do Presidente da República ao Ministro da Agricultura. Pelo caminho ficou a contestação à Ministra da Educação que está para durar. Sinal por certo das mudanças que, o governo do cartão único, do simplex, do Magalhães e das avaliações sérias aos funcionários públicos, conseguiu impor, para mal de muitos a quem carreira evoluía junto com a idade, e para bem de quem passava horas a levantar 5 cartões diferentes, ou para quem não podia comprar um portátil para fazer trabalhos como os dos amigos do lado.
Já em Guimarães foi o ano da discussão. Os bloguers foram algumas das figuras do ano, porque conseguiram alargar a discussão pública, acabando por ter reflexos aqui e ali no funcionamento das coisas. A câmara municipal abriu também a discussão publica aos 5 projectos, mas já viu recusados 3 deles. Sobra agora espaço para terminar os aprovados, e dinheiro para lançar outros. Salvem-se estes dois exemplos numa cidade em que são muito poucos os outros que ainda discutem ou fazem pela cidade.
Guardava só para o fim alguns destaques avulsos: Nélson Évora e Vanessa Fernandes tiveram medalhas olímpicas. O Vitória foi à pré-eliminatória da liga dos campeões e conquistou títulos nas modalidades amadoras. Cristiano Ronaldo é o melhor mundo. Heath Ledger vai ter Óscar a título póstumo por uma das melhores interpretações que vi em cinema em “Batman”. O quadrilátero do Minho promete ser um excelente projecto para canalizar investimentos para uma das zonas mais maltratadas em relação à importância que têm para o pais.

Paulo Lopes
Read On

Think Pong 2008 - Um ano cheio

0 opinioes

A minha análise de 2008 vai centrar-se em Guimarães. Particularmente em três aspectos do último ano: a cultura, o desporto e a política. É uma viagem curta a um ano cheio. Mas não necessariamente um ano em cheio.

Cultura – Há um ano dir-se-ia improvável um comentário deste teor neste blog. Mas 2008 tornou-o possível. A Oficina e o Centro Cultural de Vila Flor são os grandes vencedores do ano em termos locais.
Os gestores do CCVF deram a ideia de ter estado (e muito bem) atentos às críticas e o ano foi pródigo em “respostas” à altura. Há um rumo e uma linha de programação que se identifica desde logo com a casa de espectáculos. Isso era fundamental.
A Oficina tem um rumo, com um grupo de Teatro que está a construir algo importante. E que hoje sabemos bem com o que podemos contar no CCVF: os concertos dos auditórios, à Manta, das excelentes propostas de teatro à dança contemporânea, passando pelas programações centralizadas em eventos como o GuimarãesJazz ou os festivais de Gil Vicente. Além disso há uma aposta muito inteligente na vertente da formação que dá por bem empregue o investimento público ali feito. Ainda que não conheça os números da gestão, a forma como 2008 foi equilibrado em termos de programação, em contraponto com outras casas que tiveram que esticar a programação para conseguir terminar o ano, mostram que, ainda que com alguns defeitos, o CCVF está no caminho certo.

Deporto – O Vitória continua a ser a bandeira desportiva de Guimarães. E em bom futebolês este foi um ano com duas partes. Perfeito até Junho: apuramento para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões de futebol; triunfo na Taça de Portugal de basquetebol; título no Voleibol. Em meio mandato, Emílio Macedo da Silva parecia capaz de ter um “toque de Midas” sobre toda a realidade do clube.
Veio o Verão e o encantamento desvaneceu-se. À vista saltou então uma direcção sem rumo, capaz de hipotecar as hipóteses de entrada na Champions e de colocar em causa o futuro das “amadoras”. O último trimestre mostrou um clube em desvario, uma equipa de futebol débil e uma anarquia que se estende do balneário do basquetebol ao departamento de comunicação, passando pelas contas do clube.

Política – Foi um ano difícil para António Magalhães. Dois processos mal explicados e ainda às voltas na Justiça (Hortas e Outeiro) colocaram o autarca sob suspeição. O atentado cometido no Parque da Cidade, o excessivo secretismo à volta da Capital da Cultura e o recente chumbo do Igespar a dois do “5 projectos” foram razões de sobra para Magalhães terminar o ano fragilizado. Não fosse dar-se o caso de praticamente não existir oposição. Ainda que a nova liderança do PSD dê mostras de inverter a tendência, durante nove meses raramente os sociais-democratas tiveram o papel escrutinador que se exige num município com a dimensão de Guimarães, desiludindo os apoiantes e colocando em causa as possibilidade de um bom resultado nas autárquicas deste Outono. A grande figura em termos de oposição local acabou por ser a JSD: criou uma agenda própria, liderou a discussão acerca da (ausência de) política autárquica de juventude e ganhou a batalha do cartão municipal de juventude.

Samuel Silva

Read On

Think Pong 2008 - Um mundo em mudança

0 opinioes

2008 veio marcar o início da maior crise das últimas décadas. Porém, se olharmos de outra perspectiva, este também pode ser uma oportunidade de mudança. A reestruturação dos mercados financeiros e das estruturas produtivas dos países poderá beneficiar as camadas mais jovens da população, com educação superior e maior domínio das novas tecnologias, rejuvenescendo o tecido empresarial em países de matrizes económicas mais conservadoras como Portugal, por exemplo. Infelizmente, os políticos não estão muito empenhados nisso. A administração americana está a financiar, com os impostos dos contribuintes, empresas automóveis que constroem carros que ninguém compra. As implicações destas acções atravessam fronteiras, havendo até quem diga que estas medidas vão prejudicar empresas portuguesas, como a Autoeuropa. Ao que parece, as principais vendas para o estrangeiro da maior exportadora portuguesa têm como destino os EUA, sendo impossível mantê-la só com o mercado interno português. Da mesma forma, por toda a Europa, se preparam planos de contingência para enfrentar a crise. Não nos podemos esquecer, contudo, da quantidade de dinheiro que vários sectores industriais gastam, para fazer lobby, em Bruxelas, tentando puxar a brasa à sua sardinha. Quando muitos políticos estão de acordo, relativamente a um assunto, ou o problema é mesmo flagrante ou há «marosca». Portugal, como sempre, não foge à regra, estando em forja mais um rol de projectos públicos megalómanos de retorno duvidoso, excepto para as construtoras. Enquanto me parece que o aeroporto de Alcochete é um investimento necessário, o TGV só vem confirmar que a sanidade mental começa a escassear em alguns círculos políticos.
Mas nem tudo é mau. O preço do barril de petróleo caiu a pique, nos últimos meses, incentivando a mobilidade em detrimento da fixação. Mais do que nunca, é necessário encontrar destinos viáveis, em mercados alternativos, para os produtos nacionais. Os défices gémeos (externo e orçamental) têm de ser combatidos a todo o custo, caso contrário, toda a riqueza produzida, dentro de alguns anos, só vai servir para pagar taxas de juros. Também o custo das matérias-primas estabilizou, evitando algumas das catástrofes humanitárias que se previam.
A nível local, devido ao facto de estar a residir, quase a tempo inteiro, em Guimarães, redescobri o quão incrivelmente deprimente é morar cá. Ter 20 anos e andar por estas paragens só não é motivo de suicídio colectivo por mero acaso. Durante a semana, não há nada de minimamente interessante, para fazer, nas redondezas. Se numa das principais cidades do país se dá este fenómeno, é preciso pensar porque é que os jovens fogem a sete pés das zonas rurais do interior. Podem crer que não é a pôr lá uma urgência hospitalar que eles voltam. É preciso pensar positivo e comprar bilhetes de avião. Feliz 2009.

Hugo Monteiro

Read On

Think Pong 2008 - A noroeste nada de novo

0 opinioes

365 dias depois, não podemos dizer que 2008 tenha sido um ano ímpar para o Minho. Mesmo depois de inúmeras tentativas para nos fazerem fazerem crer que o país é menos cinzento que rosa, a verdade é que a crise no Minho é completamente indisfarçável.
Asfixiados por uma crise sem precedentes, continuam a cobrar-nos as portagens que se desculpam nas grandes áreas metropolitanas e no Algarve; continuam a esquecer-se de nos pagar a justa subvenção pelos transportes públicos urbanos; e continuam a desviar os fundos do Turismo do Norte para o Porto e o Douro.
Enquanto isso, os nossos políticos-de-trazer-por-casa brindam-nos com referendos bairristas, desperdiçando o potencial reivindicativo que ainda resta junto do poder central. Dividir para reinar é a estratégia dos centralistas que, na ausência de uma política integrada de desenvolvimento regional, vão emprestando, esmola aqui e esmola acolá, um triste contentamento de efémeras ilusões alimentado.
O avanço do Quadrilátero Urbano é um facto extremamente positivo, mas ainda insuficiente para projectar a região numa perspectiva verdadeiramente integrada. Seja como for, parecem estar lançados os alicerces para, com excepção da auto-excluída cidade de Viana, se chegar a um entendimento alargado sobre o futuro do Noroeste português.
2008 foi também o ano em que os vimaranenses se livraram dos desnecessários túneis e parques subterrâneos do Toural ao mesmo tempo que os bracarenses reforçaram a sua dose de betão num processo marcado pelas inúmeras interrogações e inquietações quanto à preservação do património arqueológico da Bracara Augusta. A arqueologia voltou a estar no centro da discussão pública, mas foram demasiados os protagonistas que, por omissão ou deformação, não souberam estar à altura do debate.
Mas tudo está bem quando acaba bem e, como se sabe, 2009 será um ano de várias eleições e muitas inaugurações. A política descerá às catacumbas da mediania e as cidades encher-se-ão de propaganda com exageradas auto-exaltações. Todo o circo será pago pelo contribuinte que assiste impotente ao esbanjar dos dinheiros públicos, enquanto as promessas convenientemente incumpridas são atiradas para as calendas gregas.
No Minho, como no país, estamos quase na mesma, mas um pouco mais pobres.

Pedro Morgado
Read On

Think Pong 2008 - Crónica de um Ano atipico

0 opinioes

O ano de 2008 foi pródigo em acontecimentos. Pode mesmo ter sido um ano de viragem para algumas concepções até aqui dadas como suficientemente sólidas para não precisaram de ser alteradas pelos menos durante as próximas décadas. Caíram muitas máscaras por esse mundo fora, mas houve três que caíram e que considero fundamentais. Como ano de transição, creio ser impossível destacar os mais relevantes acontecimentos do ano sem fazer referências, ainda que superficiais, a outros. Por isso, para evitar desconsiderações e imprecisões desnecessárias, opto por uma análise mais global.
Em primeiro lugar, a crise económica, depois financeira, depois económica e financeira. Contra as previsões mais optimistas para o crescimento da economia, a verdade é que o carácter marcadamente global desta crise parece ter abalado as fundições do sistema vigente desde a II Guerra Mundial. Caiu a máscara à ordem económica do pós-guerra. Muitos advogam não a morte do capitalismo, mas uma mais do que urgente reformulação deste. A palavra mais ouvida, a que faz qualquer adepto do liberalismo económico coçar-se, foi a mais ouvida em 2008 – a par, claro está, de “estagnação”, “recessão” ou “crise”: regulação. Regular os mercados, as instituições financeiras de crédito; regular o mercado habitacional, regular as trocas de capitais, regular as práticas obscuras de muitos gestores; regular e tornar mais transparente e credível o sistema financeiro, incentivar à poupança; e, acima de tudo, punir os responsáveis por danos irrecuperáveis causados a quem confia o seu dinheiro aos bancos. Para os que auguravam a morte do estado enquanto poder regulador, esta crise veio trocar completamente as voltas. Ao estado foi-lhe implorada a sua intervenção sob a forma de muitos zeros – vejamos se agora esse mesmo estado está em condições de se fazer pagar com a imposição de mais e melhores regras e, mais visível aos olhos do cidadão, com justiça.
Aproveitando o embalo de ideias como “estado” e “regulação”, destaque e honra seja feita à eleição do 44º Presidente dos EUA. Barack Obama, após uma transição que se afigura impecável, vai assumir as rédeas do (ainda) estado mais poderoso do mundo. Os EUA deixaram cair uma máscara que escondia a sua genuína identidade como povo democrático e tolerante. Do país que fez catapultar a crise económica, resta saber se vem também o antídoto. Obama inspira confiança, teve um discurso atractivo e eloquente durante a campanha mas será o motor da mudança necessária? Se os EUA não se assumirem como líderes de uma mudança anunciada, a sua posição no mundo estará definitivamente ameaçada. Não parece restar outro caminho ao novo Presidente que não um novo rumo para o seu país. O dia 5 de Novembro último pode ter sido o princípio de uma bela história. Ou não.
Um destaque final para uma questão intrinsecamente política e estratégica, que foi alvo de abrupta actualização em Agosto passado. Durante as Olimpíadas de Pequim, os olhos do mundo desviaram-se inesperadamente das piscinas e das pistas para o Cáucaso, região onde a Rússia fez questão de mostrar quem manda. Tal resposta seria impensável ainda há poucos anos. Enriquecida pelos petrorublos e dona de si como há muito não se via, o gigante russo marcou território e dissipou muitas dúvidas sobre a natureza do seu poder actual – centralizado, ambicioso, nacionalista e, pior, imperialista. Também a Rússia deixou cair a sua máscara para se tornar num dos mais sérios testes à União Europeia e aos EUA, ou por outras palavras, à unidade da UE (através da mais que duvidosa PESC) e à capacidade de influência dos EUA, respectivamente.
Venha 2009.

João Gil Freitas

Read On

Think Pong 2008

0 opinioes

Começará agora a ser publicada uma série de análises ao ano de 2008, num especial "Think Pong" de final de ano. Terminará com os autores habituais da crónica e passará por um grupo de amigos blogueres.
Read On